Antes do Amor
Antes do amor me ferir
com o ferrão da saudade;
do riso, eu era compadre.
De alvissareiro porvir
eu via meu existir.
Mas veio um tempo medonho,
de pesadelos e sonhos;
da paixão, caí na teia.
E hoje minh'alma anda cheia
de pensamentos tristonhos!
Antes do amor me prender
no laço dos seus encantos,
eu não sabia de prantos.
Vivia sem conhecer
sofrimentos, desprazer.
Por desatino, suponho,
troquei um viver risonho
por castelos de areia.
E hoje minh'alma anda cheia
de pensamentos tristonhos!
E sem ter a consciência,
que amar também é sofrer;
me enredei, sem perceber,
- talvez por mera carência -
num destino sem clemência.
E agora, triste, deponho:
nem sempre o mais belo sonho
de alegria se permeia.
E hoje minh'alma anda cheia
de pensamentos tristonhos!