sábado, 18 de abril de 2026

Décima 010/26

 


Vagando em Riba da Terra


Abelha sem sua flor,

caititu longe da vara,

tal barba fora da cara,

o Romeu sem seu amor...

valha Deus, nosso Senhor!

Se longe da minha terra

o meu ser só pena e erra,

sou navio sem um porto,

trem à toa, peso morto

vagando em riba da Terra!


Alegria foi-se embora,

não há mais felicidade, 

vivendo aqui na cidade. 

Meu sertão, não vejo a hora

de me por daqui pra fora,

pois onde estou a vida emperra,

não ouço o gado que berra...

na depressão vou absorto,

trem à toa, peso morto

vagando em riba da Terra!


Se não voltar pro sertão, 

pra minha terra querida,

será como o fim da vida.

Só em pensar, meu coração 

palpita com emoção, 

pois, quem ama a sua terra

e um dia se desterra;

vive sem nenhum conforto,

trem à toa, peso morto

vagando em riba da Terra!


Sereno dos Gerais 

18/4/26 - 17h03'

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