Na hora do Risca Faca
Se você diz que é valente,
que não teme onça nem cobra,
sendo pau pra toda obra;
braço firme no batente,
que enfrenta fogo e enchente;
todo perigo antevê;
pra atestar, vou com você:
quero ver se não se empaca,
na hora do risca faca,
na hora do vamovê!
Pra se provar verdadeiro,
não é só de papiata,
consigo o nó se desata:
vai ao cemitério primeiro,
meia noite, no ponteiro.
Pois quero ver se você
soletra o abecê
bem no assovio da taca,
na hora do risca faca,
na hora do vamovê!
Se é um caboco de peito
que não tem medo de nada;
sacudido na enxada,
na roça varre direiro
capinando no seu eito.
Se bem de longe você vê
e mesmo vendo nãp crê
quando o perigo lhe ataca;
na hora do risca faca,
na hora do vamovê!
Sereno dos Gerais
24/4/26

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