domingo, 26 de abril de 2026

Décima 016/26



 Na Curva do Rio


Quando chegar minha hora

de empreender a viagem,

quero fazer a passagem

logo ao romper da aurora,

co’o sereno, ir-me embora.

Só quero levar da vida,

na derradeira partida,

o meu alforje vazio

pra, na curva do rio,

colher rosas, margaridas.


Banhar as mãos no regato,

sentir o doce frescor

do voejo do beija-flor,

ouvir a alma de gato,

em manso e leve retrato.

Brindando a minha passagem,

na derradeira viagem,

longe do preto do asfalto.


Ouvir uma última vez

os galos em cantoria,

saudando o nascer do dia;

um sabiá, com languidez,

gorgear com altivez.

E lá do alto da serra

saudarei a minha terra.

Pois, quando entrar noutro plano,

sem dores, sem desengano,

nem as feridas da guerra.


Sereno dos Gerais

25/4/26

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