Na Curva do Rio
Quando chegar minha hora
de empreender a viagem,
quero fazer a passagem
logo ao romper da aurora,
co’o sereno, ir-me embora.
Só quero levar da vida,
na derradeira partida,
o meu alforje vazio
pra, na curva do rio,
colher rosas, margaridas.
Banhar as mãos no regato,
sentir o doce frescor
do voejo do beija-flor,
ouvir a alma de gato,
em manso e leve retrato.
Brindando a minha passagem,
na derradeira viagem,
longe do preto do asfalto.
Ouvir uma última vez
os galos em cantoria,
saudando o nascer do dia;
um sabiá, com languidez,
gorgear com altivez.
E lá do alto da serra
saudarei a minha terra.
Pois, quando entrar noutro plano,
sem dores, sem desengano,
nem as feridas da guerra.
Sereno dos Gerais
25/4/26

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